"Para o homem "de cor" reivindicar-se como negro é muito menos uma atitude negativa que a afirmação de si mesmo, de sua identidade de homem e de sua abertura para o mundo. Não se trata de renegar ou rejeitar as fecundantes contribuicões da civilizacão euro -americana e sim de assimilá-las livremente à total integridade do seu ser. A Negritude é a determinação (do negro) de permanecer fiel aos valores culturais de seu povo para dar sua contribuicão à Civilizacâo do Universal". (Alioune Séne) |
Desde o primeiro africano que chegou ao Brasil como escravo até nossos dias, o negro sempre trabalhou, viveu, lutou e se multiplicou, deixando marcas profundas no modo de ser brasileiro. Entretanto, a elite dirigente de nosso país nunca deu a isso a devida importância, querendo sempre crer e fazer crer que a base da cultura brasileira é européia.
Pelo menos desde a abolição da escravatura, desenvolveu-se no Brasil, na educação e nos meios de comunicação principalmente, um processo de desvalorizaçâo da contribuição do negro, sob um ponto de vista branco e europeu. Assim, só é sério e importante o modo de ser de origem européia: os produtos culturais do negro são considerados apenas como exóticos, engraçados, estranhos, pitorescos. Mas em contrapartida, a elite dirigente quando quer, para consumo externo, classificar algo como tipicamente brasileiro, recorre à cultura negra e à sua simbologia, como são os casos do traje de "baiana", das comidas típicas, do samba e do "futebol-espetáculo".
Sabe-se que o Brasil é um país múltiplo. Onde descendentes de europeus, de africanos e de índios convivem, sim, mas mantendo, cada grupo, o seu jeito, o seu modo de ser, a sua identidade racial e cultural. E onde cada um contribui, com o que herdou de seus antepassados, para a formação do todo que é a nação brasileira.
Pais onde convivem várias culturas, no Brasil, os africanos deixaram fortes traços de sua identidade na religião, na história, nas tradições, no modo de ver o mundo e de agir perante ele, nas formas de arte, nas técnicas de trabalho, fabricação e utilização de objetos, no modo de falar, na medicina caseira e em muitos outros aspectos. Esses traços, recriados pelos afro-brasileiros de uma forma inconsciente, são hoje - no nosso entender - a chave para o reencontro do Brasil consigo mesmo. Porque pelo menos em termos culturais, o Brasil é uma nação predominante negra. E os traços alinhados acima provam isto muito bem.
Mas a elite dominante brasileira, como já dissemos, sempre se mostrou européia. E certamente está preocupada em transmitir do Brasil uma imagem de país branco. Então, analisando a história passada e atual de nosso país vamos ver que sistematicamente se tem procurado esconder ou até mesmo acabar com o negro brasileiro.
No século XIX, como é sabido, predominava entre muitos cientistas a idéia de que certas raças seriam superiores a outras. Dentro dessa idéia, o europeu branco seria o ponto mais alto da pirâmide biológica e a raça negra estaria entre as menos favorecidas pela natureza.
Em sua "história da Literatura Brasileira"47, publicada exatamente em 1888, Sílvio Romero, inspirado no "Ensaio sobre a Desigualdade das Raças Humanas" do Conde de Gobineau, afirmava textualmente:
"Destarte, podemos, à luz dos fatos e da ciência, concluir: o incorporamento direto do índio e do negro entre nós foi conveniente para garantir o trabalho indispensável à produção da vida econômica do povo novo que se ía formar; e o mestiçamento deles com o europeu foi vantajoso: a) para a formação de uma população aclimatada ao novo meio; b) para favorecer a civilização das duas raças menos avançadas; c) para preparar a possível unidade da geração futura, que jamais se daria, se os três povos permanecessem isolados em face um do outro sem se cruzarem; d) para desenvolver as faculdades estéticas da imaginativa e do sentimento, fato real no próprio antigo continente, como demonstrou o ilustre de Gobineau".
"Manda a verdade, porém, afirmar que essa almejada unidade só é possível pelo mestiçamento, só se realizará em futuro mais ou menos remoto; pois será mister que se dêem poucos cruzamentos dos dois povos inferiores entre si, produzindo-se assim a natural diminuição destes, e se dêem, ao contrário, em escala cada vez maior com indivíduos da raça branca".
Nina Rodrigues, por sua vez, em "Os Africanos no Brasil", secundava.
"A Raça Negra no Brasil, por maiores que tenham sido os seus incontestes serviços á nossa civilizacão, por mais justfícadas que sejam as simpatias de que a cercou o revoltante abuso da escravidão, por maiores que se revelem os generosos exageros dos seus turiferários, há de constituir sempre um dos fatores da nossa inferioridade como povo."
Divulgada pela "ciência", essa ideologia tornou conta tanto da mente do povo quanto da elite dirigente, Daí, o brasileiro em geral ter sempre sonhado "limpar a raça" e apagar da memória qualquer ligação com o continente africano.
Em 1954, por exemplo, um certo Castro Paes fazia uma viagem à Europa e, de volta, publicava suas impressões. A certa altura do livro, ele assim comentava uma escala no aeroporto de Recife:
"Garçons quase pretos, desatenciosos, serviam os fregueses com a maior lerdeza, pouco caso e indiferenca! (. . .) Efetivamente, porque em vez de pretos relaxados, não se colocar moços brancos, educados, nos portos e aeroportos internacionais, para que procurem demonstrar o valor de nossa raça e elevar nosso conceito e nossa gente, no trato constante com as numerosas levas de estrangeiros de todas as partes do mundo, que por aí transitam diariamente?"
Exemplo ainda mais sério e chocante foi a publicação em 1970, no Boletim do Centro de Estudos do Hospital dos Servidores do Estado (um órgão oficial), de uma monografia assinada por um grupo de médicos e intitulada, "Nariz Negróide (Correção Cirúrgica)" na qual os autores afirmam textualmente o seguinte:
"... o crescimento da população branca é indiscutível e se faz em nu-meros alentadores em todo o Brasil" (...)
"O crescimento da população mestiça fará com que ela chegue um dia ao branco, tendo partido do branco" (...)
"Por tudo isso quanto mais o mestiço se sentir afastado do elemento negro, maior será a sua vontade de retirar da face e, consequentemente do nariz, os estigmas que permitam lembrar a sua origem, fato que redundará, como é claro numa tarefa grande para aqueles que se dedicam à cirurgia plástica enfrentando o problema social já grande e que crescerá com o correr do tempo" (...)
"Procedemos a osteotomia, aumentamos o dorso do nariz e mudamos mais para dentro a aza (sic) nasal".
Com isso, tiramos os caracteres típicos do nariz negro e lhe damos aspectos dos nariz branco".
Sabemos que o envio de tropas predominantemente integradas por negros e mestiços à Guerra do Paraguai (na qual morreram 2/3 da população negra do Império)51 a queima dos registros da escravidão e do tráfico determinada por Ruy Barbosa; a não inclusão de nenhuma referência à importante História da Africa Negra no programa das escolas (e a apresentacão do Egito como algo totalmente desvinculado do continente africano); a pouca importância que a História oficial dá à resistência do negro à escravidão e a sua contribuição na formação da sociedade brasileira; a obsessão em afirmar que o Brasil é uma 'democracia racial"; a retirada do ítem "cor" do censo demográfico; a promoção, a partir de 1890, de uma imigração maciçamente branca e européia, são algumas formas utilizadas, através dos tempos, para "embranquecer" o povo brasileiro.
O Brasil - repetimos - é um país de muitas culturas, onde a cultura negra é, sem dúvida, a presença mais forte, Mas a maioria dos negros nem sequer pode perceber este fato. E isso porque, procurando apagar da memória dos brasileiros qualquer ligação com seu passado africano, a elite dominante faz com que o negro de um modo geral perca a sua real identidade. Assim, muito poucos afro-brasileiros têm consciência do que são, de onde vieram e para onde vão. E isto é terrível quando se sabe que toda pessoa é um elo vivo entre seus antepassados e sua descendência.
Frantz Fanon 52 entende que o racismo é um aspecto do colonialismo. E que através dele o colonizador procura desvalorizar o colonizado para valorizar a si próprio: já que o colonizado não é branco, não é rico, não é inteligente, não é nada, então o único remédio é seguir o modelo do colonizador. Daí, o negro ter introjetado em sua mente conceitos segundo os quais a beleza, a inteligência etc: são brancos.
A elite dominante brasileira herdou de seus antepassados esse tipo de pensamento, colocou na cabeça da grande maioria dos negros brasileiros um complexo de inferioridade e, então - perdida a real identidade dos descendentes de africanos no Brasil - essa elite, ela própria, tomou a si a tarefa de definí-la e a define em dois níveis, um para consumo externo e outro a nível de preconceito.
Para consumo externo, o negro no Brasil é um cidadão como outro qualquer e não está sujeito a discriminações. Mas no fundo de seu pensamento - e seus atos o comprovam - o Brasil branco em geral, e até mesmo alguns negros, têm sobre o negro brasileiro algumas opiniões estereotipadas que constantemente afloram, principalmente nos meios de comunicação, se solidificando perigosamente: "O negro não tem passado nem história"; "a religiosidade do negro é simplesmente magia e superstição"; "sua arte é infantil, primitiva e exótica e pitoresca"; "o negro precisa ser paternilzado porque não sabe se organizar"; "ele só é bom para pegar no pesado, e proporcionar prazer e divertimento pois, de um modo geral, tem boa resistência física, é bem desportista, faz comidas deliciosas, tem uma sensualidade exacerbada, é obediente, quando não é burro, sujo, feio e delinquente".
Páginas atrás, vimos, com Albert N'Goma, que há um certo "esnobismo" muçulmano, um certo prazer do negro africano em se afirmar socialmente através da conversão ao Islamismo, E isto se explica não só pela real contribuição do mundo islâmico à civilização universal(contribuicão essa reconhecida até mesmo pelos racistas mais empedernidos) quanto pela força fantástica de esteriótipos como os da "sabedoria milenar" e do "mistério oriental'.
Pois bem: para o geral do negro brasileiro, a saga dos "malês" no Brasil sempre foi desconhecida. Salvo remotas e inconscientes sobrevivências, só restou dessa saga um culto a que hoje praticamente apenas os livros e algumas cantigas quase perdidas se referem.
Na hora, então, que o negro brasileiro procura recompor os elos que o unem à sua ancestralidade, em busca da recuperação de toda uma identidade perdida - que é o que ocorre neste momento em quase todo o Brasil - nada mais lógico que buscar - como vem também acontecendo - o exemplo dos 'malês'.
Porque os haussás, mandingas, fulas e outros grupos islamizados que vieram para o Brasil foram, por sua consciência política, os únicos escravos que conseguiram imprimir no geral da memória brasileira uma marca de orgulho e altivez: o glorioso episódio de Palmares (que poderia também ter tido -quem sabe? - inspiração "malê") foi glamurizado e esvaziado pela história oficial e chegou até nossa geração despido de sua real importância, que só agora é resgatada, da resistência dos nagõs "animistas" -- organizando-se em sociedades secretas, inclusive de auxílio mútuo, como as Ogboni, Gueledé e Egungun - muito pouca gente sabe.
Na pesquisa feita em Salvador, pudemos constatar como muitas pessoas da comunidade negra, com certo nível de informação, mitificam os "malês" e, mesmo sem condição de provar o que afirmam, asseguram ter uma ancestralidade 'nobre", ser descendentes de "malês". E essa mitificacão se expressa com muita força no novo carnaval afro-baiano: "Malê Debalê" (nome cujo significado, ao que parece, os próprios integrantes do numeroso grupo desconhecem), é a denominação de uma agremiação negra e Ilê Aiyê, um outro bloco carnavalesco que foi para as ruas este ano homenageando o Mali. A propósito, assim se manifestava recentemente o escritor Antônio Risério em carta a nós endereçada:
"... o sucesso do bloco afro Malê Debalê, junto com a revalorização popular das revoltas islâmicas, criou uma espécie de mito em torno dos malês. Hoje na Bahia qualquer negro informado, alguns com certa ponta de esnobismo (compreensível, mas condenável) afirma ser descendentes dos malês". E no Rio também.
Os versos abaixo pertencem ao carioca Aniceto de Menezes e Silva Júnior, o Aniceto do Império. Têm como título Raízes da África (referência no quadro abaixo) e encontram-se gravados em disco. Aniceto, septuagenário, é fundador da Escola de Samba Império Serrano. Nome exponencial do 'partido-alto" do Rio de Janeiro, nasceu no início do século e conviveu com alguns dos chefes religiosos muçulmanos mencionados na letra.
Estribilho "Assumano, Alabá. Abaca, Tio Sani
E Abedé me batizaram na lei de mussurumi"Como vêem tenho o corpo cruzado e fechado
Carrego exé na língua, não morro envenenadoViajei semana e meia daqui pro Rio Jordão
Lugar em que fui batizado com uma vela em cada mãoCinco macota d'Angola me prepararam de berço
Enquanto Hilário Jovino me cruzou com sete terçosMesmo assim, me considero um insigne mirim
Filho de cuemba não cai Ogum, Xangõ, Alafim."
LP RAÍZES DA AFRICA - ANCIETO DO IMPÉRIO
PRODUÇÃO FONOGRÃFICA
FUNDAÇÃO ESTADUAL DE MUSEUS DO RJ
(FEMURJ)
PRODUÇÃO ARTÍSTICA
ELTON MEDEIROS
ESTUDIO
SONOVISO (RJ)
COLP 12 119 M1S 026
SOM IND. &COM.S/A
(DISCOS COPACABANA)
MUSEU DA IMAGEM &DOSOM
FUNDAÇÃO VIEIRA FAZENDA RJ
-Seu Aniceto, o samba Raízes da África é auto-biográfico; perguntamos nós através do telefone.
- Nem tanto, nem tão pouco; respondeu-nos.
Após o breve diálogo só uma ida a Nova lguaçu - RJ, residênca do compositor, foi capaz de esclarecer a tanto quanto enigmática resposta. Em lá chegando e convidados para sentar a seu lado, Aniceto, organizadíssimo, pegou seu livro índice e localizou a canção número LXXI (ele numera suas canções em algarismos romanos, segundo diz, para não esquecer o que aprendeu na escola): Raízes da África. Pedindo auxílio de parente, coloca na vitrola a gravação da música e assim consegue lembrar de alguns versos perdidos no tempo.
De posse da letra do samba, começamos a conversar a respeito das ilustres personagens e Aniceto, empolgado, traçava um rápido perfil dos que ainda lembrava.
- Assumano eu não conheci, assim como Abaca e Abedé. João Alabá morava na Rua Barão de São Félix. Em sua casa havia uma cadeira de espaldar. Certa vez sobre ela sentei, levado por meu pai, Aniceto de Menezes e Silva. Estava com uma dor de cabeça renitente e João Alabá escreveu uns rabiscos em minha testa sete vezes da direita para a esquerda e após a última vez acabara a dor de cabeça".
- E Tio Sani, Seu Aniceto, o senhor o conheceu: O jornalista João do Rio menciona em seu livro "As Religiões do Rio".
- O livro eu não conheço meu jovem. Tio Sani morava na rua dos Andradas e morreu em Turiaçu, do lado da Conselheiro Galvão. Foi lá que o conheci. Ele até me deu um patuá que guardei por muito tempo. Ele era muito respeitado e trabalhava, assim como os mussurumins, com os astros - o sol, a lua. Alguns deles eram fortes sob a luz do sol e fracos sob a luz da lua e outros pelo contrário eram valentes à noite e lerdos durante o dia.
- E Hilário Jovíno?
- Este era valente, morava na Ladeira da Providência.
Aniceto continuou discorrendo, com seu vasto conhecimento, sobre a história dos negros do Rio de Janeiro durante duas horas e acrescentou que os negros muçulmanos eram educados e liam o alcorão em árabe.
À saída, indicou-nos quatro possíveis nomes que, se vivos, poderiam oferecer maiores informações sobrE o assunto objeto de estudo e dispôs-se a qualquer outro esclarecimento que se fizesse necessário, dentro de suas possibilidades.
Nas semanas seguintes ao encontro com Aniceto procuramos localizar as pessoas por ele citadas e encontramos somente Carmen Teixeira da Conceição, 105 anos.
- Salamaleikum! (a paz convosco), dissemos.
- Aleikumsalama!(convosco a paz), respondeu.
A apresentação choque deixou meio abismada a centenária baiana de Amaralinha, Tia Carmen. Nascida em Salvador aos vinte e nove dias de julho do longíguo ano de 1877, aqui chegou, no Rio de Janeiro, com cerca de 15 anos. Foi vizinha de Assumano, de quem era comadre, e participava das reuniões muçulmanas. Com os olhos marejados, lembra, com um ar cansado e saudoso, das figuras importantes do rito muçulmano. Além dos citados por Aniceto, fala de Adoiê, respeitadíssimo, que morava à Rua General Pedra.
D. Carmen reside na Cidade Nova - É atualmente membro de cinco irmandades religiosas do Centro da Cidade. Assiste aos domingos à missa das 10 h na Igreja de São Jorge e às 10 h 30 m à missa na Igreja do Rosário.
D. Carmen diz que os muçulmanos rezavam cinco vezes ao dia sobre tapetes, acreditavam na força dos astros. A polícia que perseguia os negros em geral, não incomodava os muçulmanos.
Segundo nossa informante, a seita religiosa sincrética muçulmana no Rio de Janeiro, esmaece com a ida de alguns líderes para o subúrbio, a morte de outros e o retorno de muitos para a África, para a Nigéria.
Até hoje, D. Carmen, dia 26 de setembro, véspera de S. Cosme e Damião, após mandar celebrar missa na Igreja de São Jorge,no Campo de Santana, oferece um almoço (há mais de 50 anos) em sua casa onde serve caruru e acarajé. São centenas os convidados e as iguarias são por ela preparadas.
Pelas informações obtidas através das entrevistas com Aniceto e Tia Carmen pudemos notar a forte presença dos negros muçulmanos no Rio de Janeiro, muitos deles, sem dúvida, chegados aqui foragidos da Bahia e adjacências após a devassa do levante malê de 1835.
Da mesma forma, Geovana (Maria Tereza Gomas) outra importante compositora da música afro-brasileira se diz descendente de negros "mussurumins". Sua mãe é natural de Cruz das Almas, Bahia.
É de suma importância uma releitura do Islão Negro e da história do negro no Brasil. Ë extremamente importante que sejam realizados, pelos especialistas (o que não somos), novos e mais aprofundados estudos, a fim de que destaque o verdadeiro lugar do negro islamizado como agente modificador do curso dos acontecimentos ocorridos no Brasil no final do Brasil-Colônia e nos primeiros anos do Império. O Islamismo transplantado para o Brasil foi inquestionavelmente um importante e revolucionário fator de aglutinação na luta do negro brasileiro pela abolição da escravatura e continua sendo, na memória do negro brasileiro, um dos seus poucos motivos conhecidos de orgulho e auto-afirmação.