A convivência entre índios e quilombolas nas danças folclóricas

Marcia Amantino

Doutoranda em História Social -UFRJ

 

A finalidade desta apresentação é mostrar os primeiros resultados obtidos acerca das diferentes possibilidades de percepção sobre as interações culturais entre índios e escravos fugidos a partir de duas danças: a "Dança dos Quilombos" e a "Tapuiada". A primeira, ocorre, ainda hoje, em Alagoas e a segunda, em Minas Gerais, mais precisamente em Paracatu. Na realidade, esta pesquisa faz parte da tese de doutorado, onde um dos objetivos é identificar as relações travadas entre escravos fugidos e indígenas nos Sertões de Minas Gerais durante o século XVIII. Trata-se, portanto, de uma análise que privilegia claramente, os enfoques históricos e antropológicos.

Nas duas danças há claramente definidos espaços de enfrentamento, de conflitos pela posse das terras e no caso da Dança do Quilombo, pelo controle da rainha branca.

Há divergências entre os folcloristas ao analisarem estas encenações, mas em comum, há a certeza de que retratam, cada uma à sua maneira, momentos muito específicos de percepções sobre as interações entre a etnia indígena e a negra. Se estas interações eram pacíficas ou não, é uma outra questão que não retira das danças seu caráter marcadamente histórico e cultural.