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Performance II
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André Luiz Porfiro (Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Teatro da Universidade do Rio de Janeiro) "O DESFILE DA BEIJA-FLOR
DE NILOPOLIS NO ANO DE 2001. Uma performance carnavalesco-histórica" Este trabalho pretende analisar
a articulação existente entre história e inovação
na performance da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis no desfile
do ano de 2001. DESFILE DAS ESCOLAS DE SAMBA DO RIO DE JANEIRO: uma performance processional afro-brasileira Dentre as performances processionais afro-brasileiras, o desfile das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro é o que tem mais repercussão tanto dentro do país, quanto no exterior. A formação das escolas de samba como atualmente são conhecidas remontam a segunda década do século XX. "O ano de 1926 é, segundo Marília T. Barbosa e Lygia Santos, o nascimento das grandes escolas, que começaria com a fundação do conjunto Oswaldo Cruz, que mais tarde se transformaria em "Vai como pode" e finalmente Portela. Mas foi em 1928, que bloco "Deixa Falar" se intitulou "escola de samba", levando a fama de ser a primeira escola de samba. Participavam de sua fundação os bambas do Estácio, entre eles Ismael Silva, Baiaco, Brancura, Juvenal Lopes e Bide." Inicialmente o conjunto era formado por de 70 a 100 integrantes ocupando os vários segmentos da escola, tais como o abre alas, que traz o símbolo da escola, a comissão de frente, o mestre sala e a porta bandeira, as baianas e a bateria, além do "corpo da escola", brincantes travestidos em fantasias relacionadas ao enredo. Nos anos 60 e 70 do século passado ocorre o fenômeno de agigantamento das escolas. Elas passam a ocupar um espaço além da sua comunidade de origem tornando-se mega escolas. O espetáculo se redimensiona atingindo um público superior aos espectadores que vão assistir o desfile na passarela do samba. Através dos meios de comunicação de massa como rádio e televisão e agora no século XXI, pela internet o mega espetáculo afro-brasileiro atinge a todos os continentes criando admiradores e aficionados em todas as partes do mundo, ao mesmo tempo que mantém a tradição com os representantes da comunidade ocupando seus espaços. "Na presença desta magia, turistas japoneses se transvestem de Carmen Miranda, alemães sambam como "pigmeus do bulevar", enquanto representantes das comunidades negras desenvolvem suas performances na bateria, na ala das baianas e nas das passistas, como porta-bandeiras e mestres-salas, garantindo a essência afro-brasileira da performance do samba" O desfile vai mudando paulatinamente, porém sua base permanece. "A estrutura da performance processional criada pelos mestres fundadores das escolas, permanece viva no carnaval mega do começo do novo milênio. O batuque-dança-canto, essa tríade poderosa, irradia e contagia a todos, entre dançarinos e espectadores que brincam, todos em atitude indistinta, como se fossem parte de um todo." HISTÓRIA E INOVAÇÃO No ano de 2001 a Beija-Flor
de Nilópolis entrou na Passarela do Samba com o enredo "A
Saga de Agotime - Maria Mineira Naê" . Baseado em pesquisa
desenvolvida pela Comissão de Carnaval a escola se propôs
a resgatar para a história do Brasil a trajetória de uma
sacerdotisa africana que cruzou o atlântico num Navio Negreiro e
aqui em solo brasileiro restaurou o culto ao voduns, da qual ela trazia
ancestralmente os conhecimentos. O enredo conseguiu unir de forma inovadora
história e tradição. "O tema-enredo prenuncia
a petulância. De início, cabe dizer: a escolha de uma narrativa
mítica, envolvida por uma atmosfera mística, permitiu fundir
história com o sobrenatural, algo adequado ao fundo sócio-antropológico
primado." Elementos expressivos de outras artes e campos de estudo
foram relidos e adaptados a performance processional beijaflorina afirmando
seu caráter tanto multidimensional quanto multidisciplinar. "O
caráter épico e dramatúrgico da narrativa já
sublinha o tom do espetáculo. Ao mesmo tempo, desloca o viés
ideológico sobre os africanos escravizados na América. Não
se tratou de contar as agruras de mais uma negra, ou folclorizando-a (como
se fez com Chica da Silva), ao ser trasladada ao Brasil, pelas vicissitudes
da expansão mercantil européia. Igualmente não se
quis respaldar a cantilena de uma África Idílica, pré-diáspora
(no estilo do Ilê Ayê ou mesmo do Olodum). A vertente deu
primazia à formação de uma tradição
africana no Novo Mundo, para a qual conluíram episódios
e forças que se afinaram numa constelação histórica
que fez da escravidão o destino civilizatório de milhões
de africanos e suas descendências. E imprimiu ao devir dessa gente,
as marcas paradoxais da dor conubiada com o gesto largo da generosidade
alegre, festiva, carnavalesca."
"Queria que o tempo dobrasse sobre si e retornasse - queria viver de novo aquela experiência. Mas o tempo havia cumprido a giratória sobre o seu eixo: a falta, a ausência, abriu-nos para sonhar outra vez e, talvez, fabular outra história." ALA UNI-RIO "A ALA UNI-RIO foi criada em outubro de 1988, a partir de convite do carnavalesco Joãozinho Trinta. Participou pela primeira vez no desfile mais significativo e marcante dos últimos anos, o Carnaval dos Mendigos - Ratos e Urubus Larguem Minha Fantasia. De lá pra cá, muitas plumas, lantejoulas e idéias desfilaram pela Sapucaí e sempre a Beija-Flor e suas alas inovando. A ALA UNI-RIO, que no seu início era formada por estudantes da Escola de Teatro da Universidade do Rio de Janeiro -Uni-Rio- tem hoje como objetivo e diferencial, unir o Rio. Unir o Rio e seus moradores, com sua principal festa popular, a pessoas de outras cidades, estados e nacionalidades. Um grupo grande que se encontra no carnaval do Rio para expressar suas semelhanças e brilhar no maior espetáculo da Terra." (Texto de divulgação da Ala Uni-Rio) (fotos do desfile da Ala Uni-Rio) Fundada em 1988 a Ala Uni-Rio, organizada por André Luiz Porfiro foi criada com o intuito de desenvolver no desfile uma performance teatral, apoiando a idéia do enredo. No carnaval de 2001 desfilou com a fantasia "Máscaras da Feitiçaria". BIBLIOGRAFIA |