
CORPO - IDENTIDADE
Curador: Andrés Di Tella
Para o olhar descriminatório, que classifica, hierarquiza, segrega e exclui, o corpo do outro,
a cor de sua pele ou de seu cabelo, determina sua identidade. Mas a identidade também se
joga a partir do alheio, em uma dialética de proximidade e distância. Aquele que busca sua
identidade negada talvez a encontre ao perdê-la (Fotografias de Andrés Di Tella); a lembrança
do primeiro encontro com o outro cobra um valor distinto segundo de que lado se olhe, o do
branco ocidental ou o do indio ikpeng do Amazonas (Pirinop, Meu primeiro contato de Mari
Correa e Kumaré Ikpeng); a forma de por o corpo dos ex-presidentes representa a identidade
de um povo mais do que seus ex-eleitores prefeririam crer (Eu presidente, de Mariano Cohn e
Gastón Duprat); e a vida de um militante revolucionário adquire distintos sentidos na lembrança,
seja na de sua filha ou na de uma vizinha que foi testemunha de seu sequestro (Los rubios
de Albertina Carri).
Fotografias
Andrés Di Tella
Argentina, 105 min.
Apresentação especial: pre-estréia
Documentário autobiográfico. Para contar a história de sua mãe, nascida em Madrás, Andrés
Di Tella empreende uma viagem à India, que é também uma viagem iniciática ao país
desconhecido de sua mãe. Nas voltas do caminho, tentando desvelar os enigmas da vida de
Kamala, se enfrenta com o fantasma de sua própria identidade oculta.
Pïrinop, Meu Primeiro Contato
Mari Correa & Kumaré Ikpeng
Brasil, 2005, 56 min.
Há 40 anos, os Ikbeng, uma tribo isolada do Amazonas brasileiro, tiveram seu primeiro contato
com o homem branco, que fotografou e filmou aos surpresos nativos. Relocalizados em uma
reserva no xingú, a tribo se converteu em uma atração turística. Um descendente daqueles
índios toma agora a câmara para contar de novo a história, com outra perspectiva.
Os Louros
Albertina Carri
Argentina, 2003, 89 min.
Albertina Carri, filha de desaparecidos, põe em cena o drama da ausência, mediante recursos
de ficção, documentário e animação, no que sua autora denomina "auto-ficção". Os pais de
Carri não eram louros, mas para os vizinhos do bairro popular onde viviam clandestinamente,
sim o eram. Um filme polêmico e imprescindivel, que mudou os termos do debate sobre a
memória da repressão.
Eu, Presidente
Mariano Cohn & Gastón Duprat
Argentina, 2006. 75 min.
Cohn e Duprat criaram Televisión Abierta, um legendário programa de TV onde qualquer podia
Chamar para pedir câmara e dizer o que queria. Agora fazem algo parecido, mas radicalmente
diferente, com cada um dos ex-presidentes argentinos desde a recuperação da democracia em
1983.
TERROR
Curador: Andrés Di Tella
O terrorismo de estado na Argentina, abusou dos corpos, lhes perseguindo, capturando, torturando, atirando ao mar, enterrando clandestinamente em fossas comuns, fazendo-lhes desaparecer. Mas esses mesmos corpos que resistiram ainda resistem e, hoje mesmo, seguem representando a resistência ao terror e ao esquecimento, na obra de cineastas que elaboram a memória (Proibido, de Andrés Di Tella); no trabalho da equipe de antropologia forense que lhe devolve identidade aos corpos que a perderam (O último confim, de Pablo Ratto); no compromisso dos ex-detidos-desaparecidos que conseguem fazer deter e julgar a quem os torturou (Cavallo entre as grades, de Shula Erenberg, Laura Imperiale y María Inés Roqué); e na obstinação do filho de uma desaparecida que – justamente – põe o corpo em uma investigação sobre o destino de sua mãe, pondo no tecido do juizo todo o corpo social (M, de Nicolás Prividera).
Proibido
Andrés Di Tella
Argentina, 1997, 110 min.
Que passou com a cultura argentina durante a ditadura militar de 1976-83? Artistas, jornalistas,
cineastas, intelectuais... Alguns foram torturados e assassinados, alguns proibidos e exiliados,
muitos outros passaram os anos de chumbo como puderam. Outros colaboraram abertamente
com a ditadura. Como seguiram trabalhando, em tão complicadas circunstâncias, uns e outros?
O Último Confim
Pablo Ratto
Argentina, 2006, 60 min.
Como muda a vida de quem procura por um ente querido, desaparecido à 27 anos, e finalmente
encontra seus restos? A Equipe Argentina de Antropologia Forense põe o corpo uma empresa
quase impossível: Encontrar o lugar de um enterro clandestino, cavado numa noite de 1976,
desenterrar e identificar aos que ali encontre.
M
Nicolás Prividera
Argentina 2007, 140 min.
Perto de cumprir a mesma idade que tinha sua mãe quando foi sequestrada, o filho de uma
militante desaparecida em 1976 inicia uma investigação que o leva ao encontro com velhos
companheiros de sua mãe. Nessa busca surgem novas perguntas, incompreensões, silêncios e
cumplicidades.
Cavallo atrás das Grades
Shula Erenberg, Laura Imperiale y María Roqué
México, Argentina, España, 2006. 50 min.
Investigação sobre Ricardo Cavallo, torturador que agiu no campo de concentração da Escuela
de Mecánica de la Armada en Buenos Aires e que, com o advento da democracia na Argentina,
se refugiou no México, mudando sua identidade. O testimunho de suas ex-vítimas ajudou a
que fosse detido, extraditado a Espanha e submetido a juízo.
Operação Atropos
Coco Fusco
59 min. 2006
Operação Atropos é um documentário sobre os interrogatórios e o treinamento de
esistência dos Prisioneiros de Guerra (POW). Fusco trabalhou com interrogadores aposentados
do exército norte-americano que submeteram seu grupo de estudantes mulheres à simulações
de experências de Prisioneiros de Guerra a fim de mostrar-lhes como podem ser hostis os
interrogatórios e como os membros do exército norte-americano aprendem a reagir contra eles.