Corpos Racializados/Engendrado

Coordenadoras:
Para a área Corpografias: corpos e a construção do lugar

“Corpos mestiços: representações híbridas” O imaginário do corpo mestiço surgiu no contexto da violência colonialista da América Latina. Como discurso classificatório, foi utilizado para segregar os grupos humanos dentro de uma sociedade altamente racista que negociava sua identidade entre as culturas européia e indígena. Depois das guerras de independência, o sistema de castas foi abolido, no entanto algumas destas classificações dentro do imaginário das novas nações sobreviveram. Por outro lado, o mestiço foi utilizado como paradigma do novo indivíduo latino-americano de acordo com os escritos de Vasconcelos, Paz e outros. No contexto chicano/latino, Gloria Anzaldúa se re-apropriou do conceito ao propor “a nova mestiça” como símbolo de uma cultura fronteiriça aberta a “la otredad". No contexto pós-moderno e pós-Colonial do final do século XX, os conceitos de sincretismo cultural e mestiçagem étnico-racial foram substituídos pelo das culturas híbridas, o que nos leva a questionar qual é o status do corpo mestiço hoje em dia, quando o “indivíduo de cor” enfrenta um novo clima de xenofobia global na chamada “guerra contra o terrorismo”. O corpo colonial, contaminado, híbrido, inter-cultural, trans-fronteiriço ao longo da História com efeitos distintos segundo o lugar de onde se desdobram.

Para efeitos deste Grupo de Trabalho, proponho abordar a mestiçagem a partir das seguintes perguntas:

Que política de representação rege a atuação do corpo mestiço em épocas e regiões específicas? Até que ponto o corpo mestiço é representável nas artes visuais ou cênicas? Que objetos e signos servem como "índices raciais" na representação do corpo mestiço? Como o indivíduo mestiço negocia sua identidade dentro dos contextos colonial e pós-colonial? Como intersectam classe, etnia e gênero na construção colonialista do mestiço? Qual é o “poder performativo” do indivíduo mestiço enfrentando a ansiedade de pureza étnico-racial? Com que práticas performativas o mestiço negocia sua legitimidade social? Como o corpo mestiço da Colônia se distingue ou inter-relaciona com o corpo híbrido pós-colonial? Que mecanismos de medo e desejo detonam o “outro” mestiço? Que relação a migração trans-nacional tem com a criação de novos indivíduos e imaginários mestiços?

Participantes Número ideal: entre 10 e 15

A participação de estudantes de mestrado e doutorado é bem-vinda assim como especialistas que estejam trabalhando com o tema desde as esferas da pesquisa acadêmica, das artes visuais ou cênicas. As discussões girarão em torno das pesquisas em andamento que trarão os/as participantes, sempre levando em conta as aproximações interdisciplinárias para a reflexão das práticas performativas (dentro das que compreendem os discursos e representações dentro das esferas do social, do político, do cultural e do artístico).

Antonio Prieto Stambaugh
Diretor do Centro de Pesquisas Cênicas de Yucatán (da Escola Superior de Artes de Yucatán) e é membro do Sistema Nacional de Pesquisadores. Seu mais recente livro é Ofelia Zapata “Petrona”: uma vida dedicada ao teatro regional, em co-edição com Óscar Armando Garcia.

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