TEATRO EM TRÂNSITO – INTERATIVIDADE NO JOGO COM O ESPAÇO E O TEXTO
Beatriz Angela Vieira Cabral
Universidade Federal de Santa Catarina
Esta pesquisa investiga o potencial da cena contemporânea no contexto do teatro na escola e na comunidade. A etapa aqui analisada, esteve centrada na deconstrução do texto dramático, e utilização de seus fragmentos e/ou cenas por diferentes grupos de alunos, em espaços não convencionais, na favela Chico Mendes, nos arredores de Florianópolis. Um grupo de 15 alunos de teatro do CEART/UDESC trabalharam em parceria com crianças e adolescentes, explorando possibilidades de ampliar sua voz e autonomia através de jogos de interação com o espaço, o texto e os espectadores. A proposta de ambientação cênica, distinta para cada fragmento, incluiu o trânsito dos participantes e espectadores de uma cena à outra, através de trilha, labirinto ou túnel. Estudos dos trabalhos de Araújo, Barker, Brook, Cohen, Murray, Pavis e Schechner, acompanham esta pesquisa. Experiências anteriores (Cabral, 1998, 1999), partiram da necessidade de explorar situações de impacto, transformação do espaço cotidiano e engajamento emocional com o processo de trabalho, para uma participação ativa dos alunos ou membros da comunidade em encontros de curta duração. A etapa aqui analisada esteve centrada em 5 princípios básicos: o texto dramático como pré-texto para o planejamento do trânsito e personagens; fragmentos literários que reflitam, analogicamente, o contexto real dos participantes; ambientação cênica que exija interações e percursos não convencionais; identificação de papéis coletivos que favoreçam o uso de rituais, coro, e movimentos padronizados; identificação de funções objetivas e coerentes para o trânsito de uma cena à outra.
Nossa análise desta etapa do Teatro em Trânsito, o insere dentro do que as atuais teorias da performance denominam risco e processualidade, enfatizando a priorização de um espaço expressivo para todos os participantes através do cruzamento de memórias e mitologias individuais. Etnografia foi a abordagem metodológica.