ATOR CONTEMPORÂNEO
Cristiane Moura - Atriz e Mestre em teatro - UNI-Rio
É na segunda metade do século XX que a solo Performance afirmou-se como uma forte tendência no panorama das artes cênicas. Nessa forma de arte percebemos aberturas para um movimento de artistas inquietos rumo a uma concepção de artista que pode ser resumida na seguinte frase; "o homem não é mais artista é obra de arte".
Tal afirmação feita por F. Nietzsche no seu livro O nascimento da tragédia escrito em 1872, provoca nossas reflexões sobre o cidadão que se identifica como artista nos dias de hoje. Que características lhes são imprescindíveis? Que comportamentos a sociedade espera dele ou impõe a ele? A arte compreendida como transformação move o nosso desejo de pensar que transformações o artista deve operar em si mesmo para poder gerar mudanças no ambiente que o rodeia. Abordar a cultura através da multidisciplinaridade numa sociedade construída pelo encontro de diversas raças, religiões e ideologias é ponto de partida para uma atitude artística libertária.
Desde 1995 estudando Performance Arte e atualmente orientando um grupo de atores na construção de solos, pretendemos pensar o mundo em que vivemos através de Performances. Subvertendo os limites entre os gêneros estéticos, misturando-os intencionalmente e integrando à cena, sem preconceitos, tanto as chamadas mídias tecnológicas quanto as tradições artesanais.
Para desenvolver a comunicação, utilizaremos como obra de referência o Teatro Essencial criado por Denise Stoklos para a discussão sobre a criação, a linguagem e a formação do Performer contemporâneo dentro das várias vertentes da solo Performance no Brasil e no mundo. Acreditamos que a transformação do artista é o caminho para a transformação da arte.