A escrita performática como uma forma do político na cultura contemporânea

Graciela Ravetti

Se a performance significa o passo do «dever-ser» ao «como é» como afirma Jorge Glusberg, por que não pensar a disseminação do performático na pós-modernidade/pós-colonialidade, como uma das vias privilegiadas de materializar os fluxos criativos que atravessam a «contextualização» contemporânea.

E se a performance pode ser entendida como aquilo «que não foi nomeado, que carece de uma tradição, mesmo recente, que ainda não tem lugar nas instituições. Uma espécie de matriz de todas as artes», segundo Jocken Gerz, então, o estudo e a prática da performance se colocaria no âmago da tensão contemporânea entre singularidade (a performance) e representação: sem a singularidade que se debate a contrapelo não existe palavra nova, e sem a absorção dessas palavras novas não existe continuidade. Ou seja, a eterna luta entre tradição e ruptura. A singularidade se propõe o irrepresentável e, quando o consegue, é deglutido pela cultura que o familiariza, divulga e domestica.

Esse trabalho se propõe discutir a performance em conseqüência das reflexões acima referidas assim como em sua relação de confluência com as outras artes, sobretudo, com a escrita performática.