A performance da morte em público: representações do martírio de Tiradentes

 

MARIA HELENA WERNECK

 

Apontado no "Relatório Folha da Utopia Brasileira" como um dos maiores heróis brasileiros de todos os tempos , Tiradentes vem refazendo-se continuamente no imaginário brasileiro através das linguagens artísticas. A partir da análise das cenas de enforcamento e da apresentação do corpo esquartejado de Tiradentes, em peças teatrais de autores como Viriato Corrêa, nos anos 30, Boal e Guarnieri em 1967 e em trabalhos de artes plásticas, como o de Pedro Américo de 1893 e a instalação de Cildo Meirelles, Tiradentes: Totem – Monumento ao Prisioneiro Político, de 1970, pretende-se, por um lado, descrever de que maneira se engendrou, na amostragem selecionada, a relação entre visualidade e horror. Por outro, refletir como "a melancólica festa da punição" (M. Foucault) - o corpo vivo ou morto apresentado como espetáculo – embora tenha sido extinta como procedimento penal, permanece eficaz em seu simbolismo de arte de fazer sofrer, que se traduz do ponto de vista do público, em glória para o condenado e em esquecimento da infâmia do executor.