Artaud, um caudaloso rio de palavras e gestos pede para ser atravessado
SAMIR MURAD
Esta comunicação se propõe a colocar em discussão, sob uma ótica, na medida do possível específica, um tema discutido com voracidade nos meios artístico e acadêmico: as possíveis novas relações do ator com o texto teatral, subentendendo-se texto não só como a palavra escrita, mas os infinitos movimentos criativos, físicos ou sonoros, criados a partir da figura viva do ator.
Tendo em vista o trabalho de natureza teórica e prática que venho desenvolvendo a partir do estudo da vida e da obra de Antonin Artaud e de alguns de seus desdobramentos na cena contemporânea, procurarei elucidar certos aparentes paradoxos relacionados ao discurso artaudiano, com o objetivo de abrir perspectivas em relação ao mesmo, uma vez que o artista em questão, mais por desinformação do que por omissão, vem quase sempre associado a um tipo muito restrito do " fazer teatral", geralmente a partir de fórmulas rotuladas.
Levando-se em conta a profundidade e a amplitude do alcance de seu discurso, principalmente aqueles que anseiam por novas experimentações e possibilidades cênicas, pretendo trazer à tona 2 ( duas) questões que penso cruciais a respeito de Artaud:
1) O ator e diretor, ou melhor, o homem-teatro Artaud, e os possíveis pontos de contato entre este e o modelo de ator por ele sonhado
2) As possíveis relações entre a palavra que foi em última instancia, o instrumento pelo qual Artaud se mantém vivo e a sua necessidade de abolir de forma radical a literatura enquanto veículo básico da comunicação teatral.
Pretende-se desta forma, pensar a partir dessas contradições, possibilidades inerentes à função do ator de do texto teatral, que transcendam os experimentalismos formais ou por outro lado arroubos emocionados que procuram a todo custo " tocar" o espectador.