PERFORMANCES E POLÍTICA NA AMÉRICA LATINA: MOMENTOS CRUCIAIS
Sara Rojo (UFMG)
A análise de meu trabalho se centrará na hipótese de que a política strictu sensu tem sido a linha condutora, mas não excludente, de grande parte das práticas performáticas da América Latina. No período colonial podemos observar que tanto os sacerdotes quanto os indígenas utilizavam determinadas formas performáticas com objetivos políticos: catequização e resistência, que foram respectivamente os subtextos de rituais religiosos e de obras como o Güegüense (anônima). O século XIX mobiliza os artistas em prol da Independência. La Camila o la patriota de Sudamérica de Camilo Henríquez se constitui em um grito liberdade. Por sua vez, o século XX oferece diversas modalidades que incorporam a questão política diretamente: desde a criação coletiva de grupos como La Candelária de Santiago García até as metodologias desenvolvidas por Augusto Boal, passando logicamente pelos textos dramáticos de autores como Griselda Gambaro, Juan Radrigán, Plínio Marcos, etc. Todas essas variantes apresentam formas e jogos dramáticos que possibilitam leituras por diversos viés, sendo, sem dúvida, uma delas: a problemática política.