Por uma filosofia queer da diferença: as variantes estéticas propiciadas pela sexualidade do performer-cantor: Don't let me be misunderstood e Um homem pra chamar de seu.

SHEILA MAY

 

Esta comunicação parte de um breve relato experiencial sobre uma entrevista recente em programa televisivo juntamente com o video clip e uma apresentação ao vivo - no programa que inclui auditório - de um cantor brasileiro, Edson Cordeiro, que trabalha com repertório internacional, incluindo canções originárias da América do Norte ( especialmente da disco music da década de 70). Colocam-se questões referentes à identidade de orientação sexual, e à inserção do performer no universo visual que propõe para codificar o tema da canção ( Dont' let me be misunderstood ou, Não me deixe ser mal compreendido) antes gravada e veiculada também em clip por George Michael. Apropriamo-nos de alguns elementos da entrevista para tecer considerações sobre práticas brasileiras de lidar com o estabelecimento e classificação de identidades.

Para refletir um pouco mais sobre a interferência política do performe-cantor na vida social, trazemos uma canção brasileira cuja identidade consideramos diversificar-se conforme a variação de possíveis identidades sexuais dos três intérpretes que a atualizaram e veicularam nacionalmente: Erasmo Carlos, Marina Lima e Ney Matogrosso ( Um homem pra chamar de seu) . A recontextualização do tema da canção conforme quem a interpreta é um aspecto da pragmática da performance artística que reputamos considerável no exemplo em questão.