1-Uma Pequena Explicação.

É muito raro encontrar-se algo relacionado à performance dentro da música indígena brasileira. Se não é uma área totalmente virgem, podemos considera-la, pelo menos, bastante misteriosa. 

É importante considerarmos que estamos nos referindo a um conceito abrangente de performance, uma manifestação cultural ampla, mais que um construto artístico. Assim o estudo da “performance” de um povo, implica em perceber diversos elementos culturais, compreender sua estrutura e seus costumes. São influências e diferenças; semelhanças em extremos e distinções entre próximos.

Para o estudo da performance de um povo não é recomendável determinar barreiras simples e únicas. Em alguns casos as distinções geográficas revelam-se determinantes da diversidade, casos há em que percebemos barreiras lingüísticas, em outros as questões étnicas predominam, há mesmo aqueles em que nos deparamos com grandes mistérios indecifráveis.

 Sobre este prisma, estudar a performance musical de um grupo é aprofundar-se em múltiplos aspectos sócio-culturais. É preciso investigar o cruzamento das informações sobre todos os ângulos possíveis. Descrever, gravar, fotografar, investigar... na verdade nada é suficiente, tudo é essencial.

A roda na qual circulam os membros da tribo não é interrompida. Seja na festa, no tempo, no trabalho, na vida. O círculo não pode ser quebrado, este talvez seja o grande sonho indígena.

No nosso caso não é essa a nossa pretensão. Estamos, apenas, traçando alguns apontamentos básicos para o estudo da performance da música indígena no Brasil. Nesses apontamentos levamos em conta a necessidade de informações sobre a cultura do país; a participação e a diversidade das etnias indígenas brasileiras; alguns estudos existentes sobre os instrumentos musicais...

Enfim: anotações de caráter introdutório, pedaços de uma grande esfera.

O núcleo desses apontamentos é a própria cultura indígena no Brasil atual. A casca é o que se apresenta. Atingir o centro talvez seja descobrir o quanto ainda temos de índios ou perceber o quanto temos a lamentar.

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