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Jardín de pulpos (1992, 1996) Photo/Foto: HIDVL

Jardín de pulpos (1992, 1996)

1992: José, um homem que perdeu sua memória, vaga pelo país o qual sente não ser mais seu, um lugar que não mais lhe traz laços afetivos, lembranças pessoais que o conecte com uma comunidade. Um dia, encontra Toña, uma mulher de uma enorme bondade, alienada devido a uma profunda falta de afeto. Ela lhe diz que numa praia próxima de onde estão, anos atrás, muitas pessoas costumavam ir para lá e dormir e sonhar um sonho coletivo e que, neste sonho, seus passados e os personagens que viviam ali, apareciam de novo. José, em conflito com sua perda de memória, resolve ir para a praia a fim de construir, a partir de seus sonhos, sua identidade perdida. "Jardín de pulpos" ("Jardim dos polvos") é uma viagem através da memória e da identidade, uma metáfora dolorosa de perdas e ausências, um espaço do subconsciente onde o imaginário coletivo latinoamericano vaga por entre lutas, exílios e esquecimento. Este vídeo documenta trechos-chave desta renomada produção do Malayerba. 1996: Adaptação de "Jardín de Pulpos", renomada peça do argentino escritor Arístides Vargas (do grupo teatral equatoriano Malayerba), dirigida por Rosa Luisa Márquez e criada coletivamente com os alunos do "Teatro Rodante" da Universidade de Puerto Rico, no campus do Río Piedras. Peça teatral sobre memória, atrocidade, afeto e resistência, "Pulpos" faz a ponte entre o tempo (dos tempos míticos ao "Baby Boomers" à "Geração X") e o lugar (com um texto Andino executado como caribenho e adaptado para a realidade portorriquenha) a fim de denunciar a repressão política, a brutalidade policial, a perseguição ideológica e o assassinato político, evocar e prestar homenagem aos nossos mortos e desaparecidos. Uma imagem é aquela do "velório" (fazendo referência à pintura portorriquenha canônica de um "baquiné" -- velório para uma criança -- de Francisco Oller e de uma interpretação contemporânea de Rafael Trelles), numa exploração das memórias de perda e de um sentido de comunidade, de uma família mais abrangente portorriquenha. O tema recorrente de uma praia abre camadas produtivas de significação, ritmo e organização espacial: ele sugere as águas onde os argentinos "foram desaparecidos" durante a ditadura, as fronteiras (geográficas e políticas) da ilha de Porto Rico e a canção dos Beatles "Octopus' Garden", a qual inspirou o título da peça. A performance resultante é uma convocatória para resgatar e salvaguardar as memórias coletivas dos eventos políticos e históricos que deram forma às nossas sociedades latino-americanas atuais. É também uma tentativa artística de capturar e evocar as complexidades sensoriais de eventos passados, reivindicando-os como marcos genealógicos em nossa vida coletiva atual.

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